Fev 2 2010

Primeiro o necessário

Pinipon

Tenho vindo a reflectir bastante numa história bem conhecida  e que Deus há algum tempo me recordou. Para quem não conhece passo a descrever de forma resumida o “enredo”.

Génesis conta de um casal, Isaque e Rebeca, que tiveram dois filhos gémeos – Esaú (ruivo e muito peludo) sendo o mais velho e Jacó (que nasceu a segurar o calcanhar do irmão).

Esaú desenvolveu-se a ser uma caçador perito ao contrário de Jacó que ficava mais por dentro de casa – das tendas. O filho mais velho era, pelo seu dom de caçar, o predilecto do pai enquanto a mãe apreciava os dotes de cozinha do filho mais novo.

Um dia veio Esaú pedir a Jacó que lhe desse do comer que tinha feito, porque naquele dia não havia caçado nada. Jacó foi astuto e nessa altura pediu que em troca lhe vendesse o direito de ser o filho primogénito. Esaú como estava exausto e esfomeado aceitou jurando, sem pensar nas consequências.

Acontece que, depois disso, Jacó com a ajuda da mãe engana o pai já velho e cego fazendo-se passar pelo irmão mais velho para receber a bênção, que é de direito ao primogénito. Depois de Esaú descobrir o que aconteceu este declarou que mataria o irmão, motivo pelo qual Jacó fugiu para viver com o tio Labão – irmão da mãe.

Jacó apaixonou-se pela filha mais nova de Labão, Raquel, e para a poder receber em casamento trabalha para o tio durante 7 anos. Contudo, como era costume a filha mais velha ter de casar primeiro, findados os 7 anos de trabalho prometidos, Labão deu Lia (filha mais velha) a casar-se com Jacó. Depois disto acontecer, e porque Jacó amava muito a Raquel este ficou mais 7 anos a trabalhar para o tio para também poder casar com Raquel.

Creio que a linha de pensamento mais comum acerca destes acontecimentos é a de se acreditar que Jacó e sua mãe foram injustas ao enganarem o pai e o irmão, obtendo assim o que de facto pertenceria a Esaú. Contudo Esaú foi descuidado ao ponto de vender o direito de ser sobre o seu irmão, pelo que agora terá de se subjugar a ele.

Depois de enganar o pai e tomar para si o que não lhe pertencia, chega a vez de Jacó ser traído e tomar por mulher alguém que não desejava. Pode-se mesmo dizer  que se ele tivesse esperado pela provisão de Deus, teria recebido o direito de filho mais velho e a bênção das mãos do Senhor sem ser traidor perante o pai.

Podemos interpretar que o seu egocentrismo e falta de confiança levaram Deus não a abandoná-lo mas a  instruí-lo, permitindo que as consequências do engano ecoassem também na sua vida.

Jacó mostra-se capaz de aceitar as circunstâncias e a terminar o que começou, tendo de se render à disciplina que lhe chega por intermédio de Labão. Agindo assim, aprende a se voltar para o Senhor, não mais para si mesmo, quando precisa de ajuda.

Ao ler um outro artigo acerca deste assunto pude perceber para mim mesma mais umas conclusões que me pareceram bastante lógicas. De facto Deus não se negou a dar a Jacó “aquilo” por que ele havia trabalhado, pois Deus tinha planos maiores pela junção de Jacó a Lia e a Raquel. Contudo, podemos perceber que Deus dará sempre primeiro o necessário e depois o supérfluo, entenda-se: antes de Deus poder dar Raquel a Jacó (representando a sua vida emocional), Deus teve primeiro de o ensinar o erro da sua própria acção e da importância de se manter fiel na sua Sua palavra e promessas, dando-lhe primeiramente Lia (representando a sua vida espiritual). Para entender melhor isto veja-se ainda a descendência de cada uma das mulheres – Raquel teve dois filhos com Jacó, mas Lia teve sete filhos, do seu terceiro veio a linhagem daqueles que cuidariam dos afazeres da casa de Deus e do seu quarto filho descendeu o Messias prometido, o que haveria de vir salvar o mundo – Jesus.

Assim, Deus preferia que fossemos o caminho mais fácil, para não sofrermos e não termos de ser repreendidos e por Ele recebermos tudo o que desejamos. Mas porque Deus é Omnisciente, sabe que vamos ter de passar por determinados atalhos para aprender que só Nele poderemos caminhar seguros. Portanto, mesmo depois de a vida parecer estar num caos, lembra-te que só estamos nisso porque assim o quisemos e que o tempo vai chegar em que vamos obter aquilo que pretendíamos, mas primeiro Deus tem de nos dar o essencial – emendar os nossos erros e lembrar-nos que em nós nada somos.


Fev 1 2010

E a tua casa onde é?

Pinipon

Ontem à noite, ao despedir-me do meu irmão, que mais uma vez saiu de casa para ir para a cidade onde estuda, reflecti nisto: Pelos vistos, há pessoas para as quias a casa deixa de ser a casa… Digo isto porque nunca tive a experiência verdadeira de estudar longe de casa e viver de forma independente noutra cidade, e então durante toda a minha vida de estudante vivi em casa com os meus pais e por tal a minha casa (espaço físico) continuou a ser a minha casa (ideia abstracta de pertença). Tenho vindo a perceber que isto não é assim com outras pessoas. Tenho observado que há quem redefina o termo casa ou lar… Deixando de ser, por exemplo, a casa ou terra onde cresceram para passar a ser a cidade onde estudam, trabalham, etc.

Sofremos uma constante mudança na nossa vida que nos obriga a cada período novo a reestruturar, por um lado as nossas prioridades e por outro lado as noções de identificação pessoal e pertença. É estranho para mim observar isso nos outros… Simplesmente porque para mim esse conceito não mudou, não significando que não sofreu análise ou reestruturação  Mas ainda assim, no fim de cada reavaliação, o mais importante foi sempre o “de onde vim” sendo o “onde pertenço”.

Contudo, faz mais de um ano já, que fui de forma abrupta e ao que parece pouco pensada e planeada para o estrangeiro para uma oportunidade de emprego que se pode considerar única! Depois de estar esse ano como que “sozinha” (sem desrespeitar a família que me suportou lá) é mais do que natural que aconteceu uma nova avaliação de prioridades, como que uma reestruturação de hierarquia, porém, uma coisa não mudou… O sítio onde sinto que pertenço. Cheguei a perceber que, fui daquela forma (com um pé cá e outro lá – e mesmo com parte do coração cá!) porque sempre precisei de descobrir para mim e por mim própria onde é que afinal pertenço… Já que isso nunca pareceu ser questão na minha vida.

E um ano passou para saber que sempre estive em casa e que amo quem amo.

Se me arrependo? Apetecia-me responder: “perguntem-me daqui a 50 anos…” Porque regra geral só nos arrependemos quando as consequências do acto forem de alguma maneira prejudiciais a nós ou a quem estimamos. Mas a minha resposta tem de ser: “Não me quero arrepender, porque sei que na altura todos que amo se pronunciaram com suporte. Se foi assim que devia ser, então é porque tudo vai dar certo…”.

Sei que isto não deve fazer grande sentido para a maioria, mas escrevo para mim… Desculpem.


Jan 16 2010

A Resposta

Pinipon

Salmo 31:22

“Falei precipitadamente quando disse: O Senhor desamparou-me. Porque afinal tu sempre ouviste a minha súplica quando chamei por ti.”

Lamentações 3:21-33

“Mas há ainda uma raio de esperança: é que as misericórdias do Senhor não têm fim. Aliás foram as misericórdias do Senhor que impediram que fôssemos consumidos em absoluto. Grande é a sua fidelidade; a sua compaixão é sempre renovada em cada dia. O Senhor é aquilo que preciso para viver; é a minha única riqueza. Por isso espero nele.

O Senhor é bom para os que esperam nele, para os que o buscam. É bom ter esperança e aguardar calmamente a salvação do Senhor.

É bom para um jovem estar sob disciplina. Porque fá-lo sentar-se solitário, em silêncio, sob o controlo do Senhor, inclinar o rosto para o chão, para o pó da terra. Então, no fim, haverá esperança para ele. Que aprenda a dar a outra face a quem o fere, que saiba enfrentar a afronta.

O Senhor não o abandonará para sempre. Ainda que Deus o faça sofrer, mostrar-lhe-à a sua compaixão, de acordo com a sua grande misericórdia. Porque não é do seu agrado o afligir as pessoas, o fazê-las tristes.”

2 Coríntios 7:10

“Porque Deus pode usar a tristeza nas nossas vidas para nos ajudar a desviar do pecado e procurar salvação.”

Salmo 32

“1 Felizes aqueles cujas transgressões foram perdoadas, cujo pecado é coberto!

2 Felizes aqueles a quem o Senhor já não acusa de pecado, e cujo espírito foi limpo de engano!

3 Houve um tempo em que me calei, não quis reconhecer que era pecador; a minha falta de honestidade tornou-me infeliz e encheu-me os dias de decepção.

4 Dia e noite a tua mão pesava sobre mim. O meu viver tornou-se como um charco seco durante o verão.

5 Até que te confessei os meus pecados, e deixei de encobrir a minha maldade. Disse para mim mesmo: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões. E tudo me perdoaste! Desapareceu a minha culpa!

6 Depois desta experiência posso afirmar que todo aquele que crê deve confessar os seus pecados a Deus, enquanto ainda é tempo de ser perdoado. Se fizer isto, na angústia, ainda que semelhante a uma violenta maré cheia, não será derrubado.

7 Tu és o lugar em que me escondo. Tu me livras no meio das angústias! Tu me rodeias de alegres cantos de vitória.”


Jan 14 2010

Porque se duvida?!

Pinipon

Porque será que se duvida daquilo que afinal se acredita? Daquilo que se ama?

Será falta de fé? Será falta de amor? Será falta de força? Será desânimo por vezes?

O que chego a saber, é que afecta toda  a humanidade, como que uma fraquza interiorizada a nós.

O pior é mesmo quando desiludimos outros com essas dúvidas, quando não vemos como magoamos alguém ao expressar os medos que afinal atormentam todos os homens – mesmo os que ficam desiludidos.

Eu quanto à minha parte duvidei que chegue e na verdade gostaria de afirmar que não vou duvidar mais, mas afinal só sabemos que acreditamos em algo quando somos confrontados com as dúvidas, e mesmo depois de lutas interiores podemos dizer: “Não! Eu acredito!!”.


Jan 6 2010

Ora faz favor de adivinhar!

Pinipon

Quantas vezes já não vos aconteceu a vós mulheres estarem à espera daquela prenda em específico ou daquele gesto em particulsar e receberam algo bem diferente, que em nada correspondeu à expectativa?

O problema disto é que a desilusão de expectativas estraga o prazer de algo que até foi dado com carinho e que até também apreciamos, simplesmente não era o que esperavamos naquele momento. Somos capazes de começar brigas, “amuansos” e mesmo arruinar momentos porque algo ou alguém não correspondeu às expectativas.

E vocês homens perguntam: e porque é que vocês teimam em fazer isso?!

Bem… de alguma maneira estranha temos a necessidade secreta de sentirmos que os outros nos entendem e percebam as nossas necessidades (quer sejam de primeiro ordem ou não), em suma, que nos leiam os pensamentos!

Eu sei que é parvo, impossível e mesmo injusto. O que tenho a dizer em nossa defesa? Nada. Se reflicto no assunto acho ridículo esperar que alguém me possa vir a “dar” o que preciso se nunca lho pedi. Mas se me encontro no meio duma dessas situações, ajo como a maioria das minhas parceiras de género – amuo, espero por mimos e pedidos de desculpa.

Agora outra questão… Quantas vezes não tentámos por frases subliminares transmitir aquilo que gostaríamos de obter?! Tipo: ” É altura das tulipas, tinha flores bonitas na florista quando passei para ir à Padaria!”. Para qualquer mulher está implícita nesta frase : “Podias-me um dia destes dar um ramo de flores, mesmo sem ser data especial!”. Aquilo que percebo ao pensar neste nosso traço é que procurámos reafirmar que temos alguém que vai de encontro aos nossos desejos, que nos valoriza.

Eu entendo que para muitos homens isto seja trabalhoso e cansativo. Pois sejamos sinceros, há dias em que não há forma de nos agradarem, porque simplesmente somos egoístas e de humor instável. Assim, não compete ao homem perceber-nos do nada, mas à mulher o dar-se a perceber. Para tal pode-se discutir variadas estratégias de ambas as partes para evitar o “desconsolo” e a saturação.

Fica a reflexão do Absurdo do Mês…


Jan 4 2010

Ser Perfeito

Pinipon

Constatar pequenas coisas é a maravilha de viver, mas e constatar grandes coisas, será a essência?

Isto a propósito de quê?

Há dias vi pedaços dum filme bem conhecido e mais do que batido em qualquer canal de TV: “O bom rebelde”. Claro está que muitos excertos dariam para reflectir dando “pano para mangas” se analisados. Contudo houve uma parte em particular que me prendeu e deu uma iluminação para constatar uma dessas grandes coisas.

Resumidamente a cena mostra o jovem “Will” (Matt Damon) a conversar com o terapeuta “Sean” (Robin Williams) no seu gabinete acerca de relações interpessoais. Depressa Will é forçado a chegar à conclusão de Sean que  sabe que ninguém é perfeito, nem mesmo o Will ou a mulher com quem namora. A questão começa quando Sean acrescenta que o que verdadeiramente interessa é o quanto se é perfeito um para o outro.

E porque é que isto pareceu tão importante para mim? Porque na maioria das vezes estamos preocupados em todos os defeitos dos outros, ou seja, desesperadamente a reparar na sua imperfeição. em vez de valorizar quanto as pessoas são perfeitas para nós e nós para elas. Isto é:

  • O que interessa se aquela pessoa chega sempre atrasada ou nunca chega quando nós gostaríamos? Se ela vier, mesmo que seja a meio da noite?!
  • O que interessa se aquela pessoa parece ter sempre mais tempo para os outros do que para ti? Se no fim do dia és tu quem recebe o abraço?
  • O que interessa se aquela pessoa por vezes não demonstra que aprecia a tua preocupação e dicas? Se de quando em vez te agradece pelo teu apoio?!
  • O que interessa se aquela pessoa não se decide a compartilhar a tua opinião? Se quando és injustiçado te defende com unhas e dentes?!
  • O que interessa se aquela pessoa se esqueceu disto ou daquilo? Se tirou do seu tempo ocupado para estar contigo?!

E por aí fora…

Por isso, a quem amo, obrigado por serem perfeitos para mim!


Jan 1 2010

Mostrar a testa ao Perigo

Pinipon

Novo ano, nova oportunidade de enfrentar os nossos demónios. Tempo de reflectir no ano passado e reunir “forças”, vontade e motivações para sair da cama todos os dias. Altura de firmar as convicções e a fé… Momentos de renovar a esperança.

No fim das doze badaladas acabou-se o tempo e o novo ano começa sem se interessar se se completou o processo de renovação de energia.

Que todos tenham tirado o tempo…